Primavera em Tóquio
QUEM VAI a Tóquio nesta época do ano deve estar preparado para viver algumas surpresas.
QUEM VAI a Tóquio nesta época do ano deve estar preparado para viver algumas surpresas.
Ainda não temos opinião definitiva sobre um mal que vitima alguns brasileiros. Se eles têm pouca (ou nenhuma) memória sobre fatos históricos ou simplesmente se recusam a fazer justiça, sobretudo quando a ocorrência é recente. Aí entra um pouco de inveja, ciúme e outros ingredientes. Para evitar o fenômeno, a Academia Brasileira de Letras chama os seus membros efetivos de “imortais”. Porque serão sempre lembrados, quando da leitura das efemérides, que se faz toda semana, na Casa de Machado de Assis.
A surpresa foi grande, quando recebemos o telefonema da redação da “Folha de São Paulo”. A voz não demorou a dar a má notícia: “O seu Frias morreu e gostaríamos de uma opinião a respeito. Sabemos que o sr. foi grande amigo dele.”Como resumir numa frase a imensa admiração pelo homem que transformou o seu jornal numa trincheira em defesa das liberdades democráticas? Foi uma grande personalidade, empresário bem sucedido, e depois jornalista de primeira qualidade.
Na Bahia, falamos aos alunos do “Farol do Conhecimento”, iniciativa da professora Anaci Paim, hoje com mais de mil inscritos. Como não poderia deixar de ser, o tema foi a legislação educacional.
A frase lembra o que se diz sobre o vinho. Estamos pensando em seres humanos, apesar de abominarmos a palavra “velho”. Uma vez, o arquiteto Oscar Niemeyer, às vésperas dos 100 anos, disse-nos que “a velhice é uma droga”. Na mesma época, Fidel Castro fez o seu depoimento: “Nenhum perigo é maior do que os relacionados com a idade e uma saúde da qual abusei, no tempo que me correspondeu viver.”
Autoridades que lidam mais de perto com os problemas da educação infantil, entre nós, estão empenhadas numa campanha no sentido de proteger crianças e adolescentes dos excessos cometidos pela oferta desmesurada de programas, na mídia eletrônica, que são incompatíveis com as respectivas faixas etárias. O objetivo é subsidiar as famílias na tarefa cada vez mais complexa de educar filhas e filhos, adotando a máxima que no Brasil virou lei: “a educação deverá ser dada no lar e na escola.”
Quem chama nossa atenção para os escritos do Desembargador Siro Darlan é o Ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal. “Você não pode deixar de ver o artigo em que ele aborda a fabricação de bandidos.” De início assustados, depois foi possível entender a que se propunha o bravo defensor das crianças brasileiras, desde os tempos em que dirigiu o Juizado de Menores do Rio de Janeiro.
Não se trata da seleção brasileira de futebol. Nem muito menos a de voleibol. O que cumpre destacar é o formato adotado pela Escola Sesc de Ensino Médio/RJ, sob a direção da professora Claúdia Fadel, para escolha dos profissionais que nela trabalharão, a partir de 2008. Então, cerca de 60 professores, de todas as disciplinas oficiais, num inédito concurso nacional, em que o único pistolão é o mérito dos candidatos.
Com a comparação das notas dos estudantes na Prova Brasil e no Saeb, foi possível ao MEC estabelecer novo indicador de qualidade na nossa educação básica: trata-se do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), que naturalmente leva em conta a taxa de aprovação dos alunos.
Há fundadas esperanças de que o PDE (Plano de Desenvolvimento da Educação) traga benefícios a todos os níveis de ensino, a partir da Educação Infantil, que é uma exigência constitucional.
O Brasil exibe aos olhos do mundo uma das faces mais perversas da sua ostensiva injustiça social: o trabalho infantil. Outro dia, na TV, chegamos ao constrangimento, na presença de visitas estrangeiras, quando o noticiário mostrou, de forma eloqüente, quantas crianças viviam do lixo, catando objetos, sujando as mãos, respirando o ar impuro desses locais. Quando o repórter perguntou a algumas delas se estavam satisfeitas, com os resultados, mesmo de forma tímida foram capazes de balbuciar que “preferiam estar na escola”.
Como sempre acontece, quando a pauta se refere ao magistério, houve um debate apaixonado na cidade fluminense de Campos dos Goitacazes, sendo o tema avaliação. A louvável iniciativa foi da Câmara de Vereadores. O leit-motiv, a nota 2,9 alcançada no Ideb (índice de desenvolvimento da educação básica), em que o município da cana de açúcar ficou em último lugar, no Estado do Rio de Janeiro.
Não há lacunas, na história da TVE do Rio de Janeiro. Os fatos se passaram como pudemos testemunhar, na presença de pessoas que a tudo assistiram, como é o caso da professora Maria Eugênia Stein.
Sei que alguém perguntará “o que uma coisa tem a ver com a outra?” De fato, aparentemente, não há nenhuma ligação entre a construção da usina nuclear Angra 3 e os salários do magistério brasileiro. A não ser pela existência de abundantes recursos financeiros para o empreendimento (bilhões de dólares) e as desculpas de sempre: não se paga melhor aos professores por absoluta falta de dinheiro. Onde estão as nossas prioridades, do ponto-de-vista lógico? Ou até mesmo se levarmos em conta os interesses estratégicos do país?
Embora tenha escrito mais de 20 livros, alguns dos quais sobre a epopéia vivida na Itália, como correspondente de guerra, Joel Silveira tinha orgulho da sua condição de repórter, seguramente o maior de todos da nossa geração. Superou Samuel Wainer, também um mestre.