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ABL na mídia - Nova Brasil - Além de Carmen Miranda: as biografias escritas por Ruy Castro

O mineiro Ruy Castro é escritor, biógrafo e jornalista e publicou diversos livros relevantes sobre a história da música brasileira – como “Chega de Saudade: A História e as Histórias da Bossa Nova” (1990) e “A Noite do Meu Bem – A história e as histórias do Samba-Canção” (2015), além da biografia de – ninguém mais, ninguém menos – que Carmen Miranda, em 2005.

Hoje, no dia do aniversário do escritor, trouxemos uma lista com cinco biografias escritas por Ruy Castro para você devorar de ler! Vamos lá?

Mais sobre Ruy Castro

Nascido em Caratinga, no interior de Minas Gerais, Ruy Castro mudou-se ainda jovem com seus pais para a cidade do Rio de Janeiro. Lá, formou-se no curso de Ciências Sociais, e – em 1967, com 19 anos – foi contratado para o primeiro emprego como jornalista no jornal Correio da Manhã, ofício que exerceu durante mais 20 anos, em redações de importantes jornais e revistas do país como: O Pasquim, Jornal do Brasil e Manchete.

No fim da década de 1980, Ruy Castro resolveu se afastar das redações e passou a se dedicar à literatura. Seu primeiro livro publicado já foi sobre a música popular brasileira: “Chega de Saudade: A História e as Histórias da Bossa Nova”, em 1990, em que reconstitui a vida boêmia e cultural carioca dos tempos da Bossa Nova.

A capacidade investigativa aliada a um criterioso interesse por temas nacionais são características marcantes dos livros de Ruy Castro, além da qualidade do texto, aprimorado pela experiência como jornalista.

Alimentado pelo vínculo afetivo com a obra de Nelson Rodrigues (Ruy aprendeu a ler sozinho, aos quatro anos, sentado no colo da mãe, enquanto ela lia em voz alta a coluna de Nelson Rodrigues no jornal Última Hora), o autor escreveu sua primeira biografia: “O Anjo Pornográfico: A Vida de Nelson Rodrigues”, em 1992, que venceu o Prêmio Esso de Literatura de 1994.

Considerado um dos mais importantes biógrafos do Brasil e responsável por consolidar a biografia como gênero literário no país, Ruy Castro escreveu outras biografias de sucesso ao longo dos anos, as quais vamos conhecer a seguir.

A cultura e a reconstituição histórica também estão sempre muito presentes na obra de Ruy Castro, em livros como: “Tempestade de Ritmos” (sobre jazz e música popular, de 2007); “Ela é Carioca” (sobre o bairro de Ipanema, no Rio de Janeiro, de 1999); “Carnaval no Fogo: Crônica de uma Cidade Excitante Demais” (também sobre o Rio, de 2003); e “Metrópole à Beira-Mar – O Rio Moderno dos Anos 20” (2019) e “Trincheira Tropical: A Segunda Guerra Mundial no Rio” (2025).

Suas publicações têm edições nos Estados Unidos, Japão, Inglaterra, Alemanha, Portugal, Espanha, Itália, Polônia, Rússia e Turquia. Em ficção, é autor de obras como: “Era no Tempo do Rei: Um romance da chegada da corte” (de 2007); as novelas “Bilac Vê Estrelas” (2000) e “O Pai Que Era Mãe” (2001); e “Os Perigos do Imperador: Um Romance do Segundo Reinado” (de 2022, que ganhou o Prêmio Jabuti de Melhor Romance, em 2023).

Sobre a música popular brasileira, ele ainda escreveu “A Onda que se Ergueu no Mar: Novos Mergulhos na Bossa Nova” (2001); “Letra e Música: A canção Eterna e A Palavra Mágica” (2013) e “A Noite do Meu Bem – A história e as histórias do Samba-Canção” (2015).

Em 2021, Ruy Castro ganhou o prêmio Machado de Assis pelo conjunto de sua obra. E em 06 de outubro de 2022, foi eleito para a Cadeira 13 da Academia Brasileira de Letras (ABL), na vaga antes ocupada por Sérgio Paulo Rouanet.

Quatro vezes por semana o escritor também publica crônicas sobre o cotidiano e curiosidades da sociedade em sua coluna no jornal Folha de São Paulo.

05 Biografias escritas por Ruy Castro

1 – O Anjo Pornográfico: A Vida de Nelson Rodrigues (1992)

A vida de Nelson Rodrigues (1912-1980) foi mais espantosa do que qualquer uma de suas histórias. E olhe que ele escreveu peças como “Vestido de Noiva” e “Boca de Ouro”, romances como “Asfalto Selvagem” e “O Casamento” e os milhares de contos de “A vida como ela é…”.

Mas foi de sua vida – e da vida de sua trágica família – que Nelson Rodrigues extraiu a sua obsessão pelo sexo e pela morte. Gênio ou louco? Tarado ou santo? Reacionário ou revolucionário? Nenhum outro escritor brasileiro foi tão polêmico em seu tempo. “O Anjo Pornográfico”, publicado em 1992, reincorporou Nelson Rodrigues à cultura nacional.

Com isso, sua obra fora do teatro – romances, contos, crônicas e polêmicas – recuperada em velhas coleções de jornais, mudou-se para as livrarias, de onde nunca mais saiu. E suas frases e expressões, como “complexo de vira-lata”, “óbvio ululante”, “toda unanimidade é burra” e dezenas de outras, passaram a ser usadas para explicar quem somos e como somos.

A biografia venceu o prêmio Nestlé de Literatura de 1994 e o Jabuti de Melhor Capa de 1993.

2 – Estrela Solitária – Um Brasileiro Chamado Garrincha (1995)

Garrincha fez o mundo rir. Agora ele fará você chorar. “Estrela solitária – Um brasileiro chamado Garrincha”, de 1995, conta a dramática história de um ídolo amado por uma mulher e por um povo inteiro, mas que acabou destruído por um inimigo implacável.

Esta é mais que uma espantosa biografia. É um livro cheio de revelações até para os que julgavam conhecer Garrincha. Para os brasileiros de hoje, que só conhecem o seu mito, “Estrela Solitária” será lido como um romance de paixão e desventura, tendo como cenário o Rio e o Brasil dos anos 50 e 60.

Só que os personagens e os fatos são reais. Para descrever essa trajetória, Ruy Castro fez mais de 500 entrevistas com 170 pessoas. No livro, Garrincha renasce como um herói: um herói tragicamente humano.

A biografia venceu o Prêmio Jabuti de 1996, na categoria Livro do Ano de Não-Ficção.

3 – Carmen, Uma Biografia (2005)

Trata-se da maior biografia de um artista já publicada no Brasil.

Em “Carmen, Uma Biografia”, Ruy Castro narra a vida de Carmen Miranda, de sua infância na colônia portuguesa do Rio de Janeiro e adolescência no bairro da Lapa ao estrelato, primeiro no Brasil, depois nos EUA e, então, no mundo.

Ano a ano, o autor acompanha a vida da brasileira mais famosa do século XX – do nascimento da menina Maria do Carmo, numa aldeia em Portugal (e a vinda ao Rio de Janeiro, em 1909, com dez meses de idade), à consagração brasileira e internacional de Carmen Miranda e sua morte em Beverly Hills, aos 46 anos, vítima da carreira meteórica e dos muitos soníferos e estimulantes que massacraram seu organismo em pouco tempo.

Mas o livro de Ruy Castro não é apenas uma biografia. Enquanto entrelaça a intimidade e a vida pública da maior estrela do Brasil, o autor nos leva a um passeio pelo Rio dos anos 20 e 30, e por Nova York e Hollywood dos anos 40 e 50 – cenários em que é especialista.

E ainda resgata a história da música popular brasileira, da praia, do Carnaval, da juventude do passado, da Rádio Mayrink Veiga, do Cassino da Urca, da Broadway, dos gângsters que dominavam os nightclubs americanos e dos bastidores dos estúdios de cinema – numa época em que para estrelas como Carmen Miranda, as noites não tinham fim.

Os próximos dois livros não são exatamente biografias, mas dialogam muito bem com o gênero.

4 – O Ouvidor do Brasil: 99 vezes Tom Jobim (2024)

Em 99 crônicas recheadas de informações e histórias de bastidores, Ruy Castro revela o lado humano, crítico e mordaz do fascinante e plural Tom Jobim.

Tom Jobim mudou a história da música brasileira com a Bossa Nova e suas canções, que influenciaram pelo menos duas gerações de compositores. E levou essa música para o mundo. Mas disso os leitores provavelmente já sabem.

O que Castro mostra em “O Ouvidor do Brasil” é um Tom por vezes inesperado e desconhecido, que emerge sob diferentes ângulos em cada crônica. Em conjunto, os textos formam uma espécie de perfil biográfico fragmentado de um dos maiores artistas que o Brasil já teve.

O fio condutor de todo o livro é a relação de Tom Jobim com o Brasil. Onde quer que estivesse, ele mantinha olhar e ouvido atentos à preservação da natureza, em uma época em que meio ambiente e ecologia passavam longe dos discursos. Com o estilo inconfundível de Ruy Castro, esses escritos revelam também fatos inéditos, histórias de bastidores e informações sobre os grandes personagens da cena musical nos anos 1950 e 1960.

Com o livro, Castro recebeu o Prêmio Jabuti 2025 de Livro do Ano e também na categoria Crônica.

5 – A vida por escrito: Ciência e arte da Biografia (2022)

Já em “A vida por escrito: Ciência e arte da Biografia”, Ruy Castro oferece um guia imprescindível de como escrever biografias – incluindo todos os segredos, as técnicas e os truques.

Qual é o biografado ideal? Toda vida dá um livro? Quando procurar as fontes? Como se portar numa entrevista? Como lidar com fontes relutantes? Como selecionar as informações? Quando começar a escrever? Como apresentar sua ideia a uma editora? O que fazer depois do fim? E, publicado o livro, como viver sem o seu personagem?

Com a prosa saborosa que marca toda a sua produção literária, o autor também relembra episódios marcantes e decisivos nas apurações de suas obras — e que podem ajudar aqueles que desejam se aventurar no gênero a atravessar os momentos mais desafiadores da empreitada. Mais do que um passo a passo com conselhos práticos, “A vida por escrito” é uma ode à arte de pesquisar e reconstituir, através da palavra, a história de uma pessoa, de um lugar ou de uma época. Uma tarefa que pode até contar com uma dose de sorte, mas é movida sobretudo pela obsessão de encontrar a informação correta, a fonte imprescindível, o documento perdido – e que, como Ruy garante, vale a pena.

Matéria na íntegra: https://novabrasilfm.com.br/arte-e-cultura/literatura/alem-de-carmen-miranda-as-biografias-escritas-por-ruy-castro

26/02/2026