As Acadêmicas e escritoras Lilia Schwarcz, Míriam Leitão e Ana Maria Machado participaram do Festival Fronteiras em São Paulo no último fim de semana, quando debateram sobre como a linguagem tensiona as relações de gênero, em mesa mediada por Fernanda Mena, repórter especial da Folha. O evento foi no parque da Água Branca, e teve no domingo, dia 8 de março, uma programação inteiramente feminina, devido ao Dia da Mulher.
Míriam recorreu a um conceito do escritor Alberto Mussa, em que ele afirma que a ficção seria um pacto entre autor e leitor. O escritor diz: "Vou mentir para você", afirmou. E o leitor responde: “Tudo bem, eu vou acreditar." Mas essa liberdade de inventar histórias, lembrou ela, foi historicamente mais difícil para as mulheres, que tiveram, durante muito tempo, acesso limitado à educação e à publicação.

Já Lilia Schwarcz falou que as palavras podem ser usadas como estruturas de poder. Para ela, expressões, aparentemente neutras, ajudam a moldar o modo como enxergamos o mundo. A acadêmica afirmou que termos como civilização, evolução e progresso foram historicamente usados para sustentar visões eurocêntricas da história.
Ana Maria Machado, que teve como supervisor de doutorado o semiólogo Roland Barthes – uma das vinte selecionadas entre os dois mil candidatos - lembrou da importância da sua passagem pelo Jornal do Brasil, experiência que lhe rendeu a rapidez para escrever e atenção aos detalhes do cotidiano, aprendizado que aplica até hoje.
Outros Acadêmicos também participaram do evento, como o economista Eduardo Giannetti, que, no sábado, dia 7, participou da mesa “A era do excesso: consumo, ansiedade e o futuro da vida comum”, ao lado de Fernanda Mena. Os dois refletiram sobre os efeitos de uma sociedade marcada por excesso de estímulos, informação e consumo, e como isso impacta a forma que vivemos, pensamos e projetamos o futuro. No mesmo dia, Milton Hatoum falou sobre “Memória, conflito e imaginação brasileira”.
09/03/2026