O futuro chegou
A decretação da prisão do ex-presidente Lula trouxe a preços presentes as conseqüências políticas que estavam sendo aguardadas para um futuro não tão imediato.
A decretação da prisão do ex-presidente Lula trouxe a preços presentes as conseqüências políticas que estavam sendo aguardadas para um futuro não tão imediato.
Na capa de Exílio, de Lucas Guimaraens, uma imagem negra se adensa, depois se esvazia, até se configurar em pigmentos estilhaçados. Que melhor representação para o exílio, senão o estilhaço? Pontos nômades, sem centro, submersos no "lago das incertezas", subtítulo deste que é o terceiro livro de poemas do autor.
Vimos ontem no Supremo Tribunal Federal (STF) duas mulheres se impondo com delicadeza e firmeza a atitudes surpreendentemente grosseiras de dois ministros. É verdade que Marco Aurélio Mello estava indisposto com qualquer voto contrário à sua posição e já havia interrompido colegas que votavam contra o habeas corpus de Lula, mas foi com a ministra Rosa Weber e com a presidente Cármem Lúcia que ele se excedeu, inconformado com a derrota anunciada.
O roubo de armas tornou-se lugar comum no Brasil e acontece também nos Estados Unidos. Aqui houve o assassinato da vereadora Marielle e do motorista Anderson; lá um pouco antes ocorreu na Flórida, em Marjory Stoneman Douglas, 17 jovens foram mortos por um desequilibrado, armado com um fuzil AR-15.
Passei a Semana Santa com as cartas de Sêneca. Faminto de consolo e esperança, suas palavras brilham como Sol, depois de vinte séculos. Livres de ilusão, as cartas não cultivam dissabores, antes produzem um sentimento de autonomia e liberdade diante dos reveses destino e da humana condição.
O julgamento de hoje no Supremo Tribunal Federal gira em torno de dois ministros que, pela polarização do plenário, tornaram-se formadores de maiorias ou, como na definição usada nos Estados Unidos, “a maioria de um”.
À maneira das telenovelas. No capítulo anterior, um dos personagens alegou que precisava se ausentar, os outros estavam cansados, e a diretora do espetáculo não teve alternativa senão suspender a sessão, que já durava cinco horas, e transferir para hoje o suspense de um desfecho que nem se sabe se haverá.
Ao subir uma trilha nos Pirineus em busca de um lugar onde pudesse praticar o arco e flecha, deparei-me com um pequeno acampamento do exército francês. Os soldados me olharam, eu fingi que não estava vendo nada (todos nós temos um pouco esta paranoia de sermos considerados espiões...) e segui adiante.
A proposta que está sendo esboçada de um pacto político para garantir a realização de eleições em clima de tranquilidade esbarra no cumprimento da lei. Não é aceitável um pacto que pressuponha a anistia a políticos, de que partido forem, que estejam condenados ou sendo investigados por crimes que não são de opinião, mas crimes comuns de corrupção.
Estamos num tempo cansado, tempo que não sabe mais o que fazer de si, como não sabemos mais o que fazer ou esperar da Justiça. Outro dia, houve o julgamento de um habeas corpus de um ex-presidente.
O que explica o paradoxo de a corrupção ser a maior preocupação hoje do brasileiro, e o ex-presidente Lula ser o candidato preferido desse mesmo eleitor? Estudos do cientista político Carlos Pereira, da Fundação Getúlio Vargas do Rio, baseados em pesquisa de opinião experimental realizada em parceria com os professores Lucia Barros, da USP e Rafel Goldzmidt, da FGV, mostram como funciona a mente do eleitor, influenciada por questões de ideologia e também por cálculos de custo/benefício.
Passei as duas últimas semanas em Lisboa e Londres. Vi pela mídia a indignação provocada pelo assassinato de Marielle Franco, vereadora que denunciava abusos contra os direitos humanos no Rio de Janeiro.
A candidatura do ex-presidente Lula à presidência da República, que no momento é apenas um simulacro, pois a Lei da Ficha Limpa impede seu registro pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pode tornar-se um fato real com repercussões traumáticas no país caso leis em vigor sejam sucessivamente superadas, revogadas ou alteradas para permitir que seu nome apareça na urna eletrônica no dia da votação.
O lavrador e o sábio - O sábio indiano Narada pediu que Deus lhe mostrasse um homem amado por Ele. O Senhor aconselhou-o a procurar certo lavrador.
Ainda que já seja um clichê, não deixa de ser exata a imagem de Otavio Mangabeira que compara a democracia a uma planta tenra que precisa ser regada e cuidada sempre, sob o risco de não sobreviver. Os acontecimentos recentes só vêm lhe dar razão. Exigem cuidados redobrados por parte de cada um de nós.